Casa Crisálida
Informações do projeto
- Área construída
- 212,76 m²
- Tamanho do terreno
- ~ 38 x 58 m (2107,88 m²)
- Local
- Paraty / RJ
- Ano
- 2025

Projeto de uma residência elevada do terreno, devido ao mesmo ser alagável. A residência possui cozinha e salas integradas (com a possibilidade de fechar a sala de estar), banheiro social, lavanderia, garagem, escritório, muitas varandas, gatil, 1 suíte master com closet e 2 dormitórios simples.
Sobre o projeto
A Casa Crisálida foi projetada em Mambucaba, Paraty, para uma família em transformação: um casal com um filho pequeno, uma segunda criança a caminho, um cachorro e um gato que também fazem parte da vida dentro de casa. Desde o briefing, o projeto precisava conciliar a rotina atual com uma casa capaz de acompanhar o crescimento da família ao longo dos anos.
Antes mesmo de organizar os ambientes, porém, havia uma condicionante fundamental: o terreno possui histórico de alagamento. A resposta arquitetônica foi elevar a residência em relação ao solo, evitando que a casa dependesse apenas da drenagem do lote para sua proteção. O terreno rural também exigia pensar abastecimento, energia e tratamento de efluentes de maneira mais autônoma, com previsão de sistema híbrido de energia com painéis fotovoltaicos, poço artesiano, aquecimento solar de água e tratamento por TEVAP e círculo de bananeiras.
A leitura do clima também participa diretamente das decisões do projeto. O estudo realizado para a região utiliza Angra dos Reis como referência climática e identifica um clima superúmido, sem estação seca ou subseca, enquadrado no estudo bioclimático como zona 2M. Em um contexto assim, proteção contra a chuva, ventilação, controle da incidência solar e escolha adequada das coberturas deixam de ser detalhes e passam a orientar a arquitetura.
As varandas assumem um papel de transição. Elas foram distribuídas principalmente nas fachadas de maior exposição solar, funcionando como proteção para os ambientes internos e, ao mesmo tempo, ampliando os espaços de permanência da família. Uma parte delas também foi pensada como gatil telado, permitindo que o gato tenha contato com o exterior de maneira protegida.
No interior, a área social parte do desejo de convivência sem eliminar completamente a possibilidade de privacidade. Cozinha e jantar se integram ao cotidiano da família, enquanto a sala de estar pode ser isolada quando necessário. A cozinha foi dimensionada para ser utilizada por duas pessoas ao mesmo tempo, com ilha, bancada para refeições rápidas e bancadas executadas em alvenaria.
O escritório também responde a uma necessidade muito específica. Como uma das moradoras pode trabalhar em casa e utiliza microscópio, o ambiente precisava receber bastante iluminação natural, mas sem que a bancada de trabalho tivesse incidência direta do sol. É um exemplo de como o projeto procura trabalhar a luz não apenas como qualidade estética, mas de acordo com o uso real de cada ambiente.
Os dois dormitórios das crianças foram pensados de forma prática, com espaço para estudo, armazenamento e uma área livre para brincar. Já a suíte do casal incorpora closet ventilado e um banheiro mais generoso, mantendo uma organização que separa claramente os espaços íntimos das áreas de convivência.
A materialidade acompanha a mesma busca por simplicidade, durabilidade e coerência construtiva. As paredes utilizam predominantemente tijolo ecológico aparente e hidrofugado, combinado a concreto polido, estrutura e elementos em madeira, esquadrias de vidro e alumínio e uma paleta neutra. O projeto evita revestimentos cerâmicos sempre que possível, deixando os próprios materiais participarem da expressão dos ambientes.
Na cobertura, diferentes soluções respondem às necessidades de cada trecho da residência. Telhas sanduíche com estrutura de madeira ajudam no desempenho térmico, enquanto parte da casa recebe telhado verde extensivo. Pergolados de madeira cobertos por vidro criam percursos protegidos e iluminados entre os volumes.
A própria mobília também participa dessa lógica construtiva. Cozinha, lavanderia, churrasqueira, closet e banheiros incorporam peças em alvenaria, combinando tijolo ecológico, cimento queimado, granito e marcenaria somente onde ela é necessária. Em alguns pontos, o projeto prevê inclusive bases de alvenaria que podem ser executadas utilizando entulho da própria obra, reduzindo desperdícios e ressignificando um material que normalmente seria descartado.
Mesmo em um terreno de mais de dois mil metros quadrados, a implantação procura manter uma presença relativamente pequena sobre o lote: o projeto executivo registra 97,46% de área permeável, preservando a capacidade do solo de absorver água — uma decisão especialmente importante em um lugar com histórico de alagamentos e alta umidade. Projeto Executivo - Casa do Rod…
A Casa Crisálida mostra que sustentabilidade não depende de uma única solução. Ela aparece na forma de implantar a casa, na resposta à água e ao clima, na ventilação, nos materiais, na redução de revestimentos, no tratamento dos efluentes, na geração de energia e até na maneira como os móveis são construídos.
Mas, acima de tudo, aparece na tentativa de fazer com que a arquitetura responda à vida que realmente acontece ali — crianças crescendo, pessoas trabalhando, animais circulando e uma família construindo uma nova etapa da sua história. Uma casa elevada para se proteger das águas, aberta para o clima e desenhada nos detalhes para acompanhar uma família em transformação.
Palavras-chave: arquitetura sustentável · casa em terreno alagável · tijolo ecológico · arquitetura bioclimática · telhado verde · casa elevada · ventilação natural · móveis de alvenaria · energia solar · tratamento ecológico de esgoto
Galeria do projeto
Um recorte visual do projeto, com imagens que ajudam a perceber a atmosfera, materialidade e identidade do espaço.
Vídeo do projeto
Plantas do projeto
Selecione uma planta para visualizar os detalhes em tamanho ampliado.
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